sexta-feira, 31 de outubro de 2008

PÉSSIMO EXEMPLO

Qual a obrigação que eu e você, caro internauta, temos de obedecer às leis? Depois do que a Câmara dos Deputados fez, através de sua Comissão de Constituição e Justiça, endossada pelo presidente Arlindo Chinaglia, desrespeitando o Tribunal Superior Eleitoral, a pergunta é mais do que pertinente.
Por que obedecer a Lei Seca e não ingerir bebida alcoólica antes de dirigir se a Câmara dos Deputados não cumpre uma determinação judicial? Por que milhares de homens e mulheres que infringiram as leis devem permanecer presos e presas se os nossos representantes legislativos avacalharam uma decisão judicial?
Por que temos que pagar dezenas de impostos que, lá na frente, servirão para pagar salários de juízes e ministros cujas decisões não têm nenhuma força perante a Câmara dos Deputados? Vamos parar por aqui antes que pensem estar este espaço pregando a desobediência civil.
É necessário levantar a lebre nesse caso do descumprimento do mandado judicial que determinou a posse do suplente do deputado Walter Brito Neto e a Câmara preferiu ignorar olimpicamente a determinação. A atitude é um perigo e põe em risco um processo que julgávamos ser do chamado “Estado de Direito”.
Já pensou, caro internauta, o escândalo internacional que seria a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos desobedecer uma ordem judicial? Num país com a cultura jurídica sedimentada, não pode, mas numa republiqueta como o Brasil isso parece ser natural.
É por causa dessas e outras que a classe política é a pior colocada em qualquer pesquisa de opinião pública a respeito da credibilidade das instituições. Nada há contra a pessoa ou os recursos interpostos pelo deputado Walter Brito Neto. Ele tem o direito de procurar manter o mandato, mas foi a Câmara que pisou na bola.
O corporativismo ficou evidente nesse caso como ficou em outros anteriores (lembram-se do mensalão?). Que esse mau exemplo não se dissemine pela sociedade. Estaríamos fazendo o Brasil entrar no regime anárquico. Anarquia, aliás, muito parecida com a que reina na Câmara dos Deputados.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

DESCRÉDITO DA JUSTIÇA

Um prefeito foi condenado nesta quarta-feira (29), pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, a 9 anos e seis meses de cadeia.
Até aí nada demais, pois outros prefeitos já foram condenados pelo TJ a penas maiores ou menores.
O que chamou a atenção, de fato, foram os apresentadores dos dois programas de rádio de maior audiência na Capital na hora do almoço – o Correio Debate do Sistema Correio e o Rádio Verdade da Arapuan – ironizarem a condenação, com o mesmo argumento:
- Sabe quantas vezes ele vai pro presídio? – perguntaram os radialistas.
A resposta a gente sabe, né?

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GERVAZINHO E A REELEIÇÃO

Nilvan Ferreira e Fabiano encostaram Gerv´zio Maia Filho no microfone e ele garantiu que não será candidato a deputado federal.
“Tenho experiência como deputado de oposição, mas quero experimentar como deputado do Governo”, sentenciou no Rádio Verdade da Arapuan, nesta quarta-feira (29).
Por trás destas sábias palavras há o temor de Gervazinho de aventurar-se num insucesso e deixar à deriva a parte que lhe cabe no mais antigo clã da Paraíba.
Confirmar que seria candidato a federal era tudo o que seu rival Biu Fernandes (PSDB) gostaria de ouvir.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

OPINIÃO – O COMEÇO DE 2010

Quando terminou a apuração do segundo turno, em Campina Grande, o prefeito reeleito Veneziano Vital foi ao Parque do Povo – uma espécie de Panteão da Glória – e, de lá, se pronunciou para a pequena multidão que se aglomerara para festejar, com justa razão, a vitória sobre o clã Cunha Lima.
Veneziano, que nos discursos, nas entrevistas e nos debates abusa de passear pelos verbetes dos dicionários para dar ênfase à sua erudição, foi direto e objetivo: pediu união aos campinenses quando o pleito se encerrava. A reeleição, deve ter pensado com seus botões, é hora de arregimentar também as legiões perdedoras.
Falar aos seus eleitores, que não foram maioria, era o óbvio, mas tem que se dedicar uma atenção especial aos derrotados, pois eles poderão ajudá-lo nos embates futuros, sobretudo quando foram colocadas à mesa as cartas de 2010 diante de um clã Cunha Lima combalido em seu próprio território.
Falar ao Parque do Povo é uma coisa, como o fez Veneziano. Falar ao Oceano Atlântico é outra, como o fez o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho. Uma coisa é ser vencedor, como Veneziano e Ricardo. Outra coisa é ser aliado – e uma espécie de guru – dos vencedores, como o senador e presidente estadual do PMDB, José Maranhão.
O processo de comunicação, aliás, exigirá muito da inteligência - e dos cofres públicos - nesse embate entre Veneziano e Ricardo. O prefeito de Campina Grande, devido à localização dos veículos comunicativos, fala mais para o interior e menos para o litoral. O prefeito de João Pessoa fala mais para o litoral e menos para o interior do Estado.
Outras diferenças deverão surgir ao longo do processo que desaguará em 2010, mas o principal merece observação: os dois partem para 2010 com exércitos de tamanhos diferentes. O partido de Veneziano abocanhou seis dezenas de prefeituras e o de Ricardo apenas uma dezena.
Ou será que essas sete dezenas de prefeituras é patrimônio do senador José Maranhão? Ninguém sabe. Quem quiser ser ungido candidato tem que afagar o ego de muito prefeito, vice-prefeito e vereador por esse Estado afora. A eleição municipal foi boa para a oposição, mas pelo visto união – ou unidade – não é o forte desse time.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

OPINIÃO - IRAÊ DÁ O TOM

Talvez a deputada Iraê Lucena estivesse falando por si mesma quando advertiu que o PMDB terá candidatura própria em 2010, independente do que pensa e faz o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho. Talvez a parlamentar esteja dando voz a sussurros existentes dentro do seu partido.
Sejam especificamente seus os argumentos ou agregados à opinião de outros peemedebistas, Iraê começa a discutir 2010 diferente dos seus companheiros de agremiação partidária: faz política na acepção do termo e não como guerra contra o clã Cunha Lima e seus aliados.
Não interessa à deputada jogar pedra no telhado adversário, mas arrumar a casa para a festa que acontecerá dentro de dois anos. Ela deve permanecer como uma das convidadas principais, com mandato em jogo e com a voz autorizada de quem representa um clã histórico- o dos Lucena.
O dom dado por Iraê, porém, pode ser apressado, pois ainda não se conhece a voz rouca das urnas do segundo turno de Campina Grande quando irá se definir o perfil do PMDB 2008 – se será mesmo um partido do interior ou se agregará um dos dois maiores eleitorados do Estado.
Se perder Campina Grande, o PMDB ficará em segundo plano para um contingente de quase um milhão de eleitores, pois a Capital e a Rainha da Borborema não pertencerão ao portfólio vermelho e preto, mas ao laranja que se diz socialista e ao amarelo tucano.
Importa perceber que Iraê coloca água na fervura do entusiasmo dos súditos de Ricardo Coutinho: se quiser o apoio do PMDB, o Prefeito da Capital tem vaga na vice peemedebista. Se for candidato, vai ter que se bater com o partido do senador José Maranhão, quer recém-conquistou 59 prefeituras.
O que Iraê ainda precisa esclarecer é que o Democratas já percebeu: o PMDB inchou, mas não cresceu quantitativa e qualitativamente. O deputado Lindolfo Pires, ex-líder peemedebista na Assembléia, lembrava que as duas maiores lideranças conquistadas por Zé, nos últimos tempos, foram os Wilsons - o Santiago e o Braga.

Outro ponto a destacar nas declarações de Iraê, publicadas neste portal nesta quinta-feira (23), é que alguém no PMDB da Paraíba está preocupado com o futuro do partido e dos seus filiados e não apenas com projetos pessoais, como vem sendo a tônica nos últimos tempos. A concepção feudal e absolutista recebeu um forte petardo.

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